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Aspirina e ácido acetilsalicílico (AAS) podem fazer mal para quem está com suspeita de dengue?

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Com a alta nos casos de dengue em várias regiões do Brasil, muitas dúvidas surgem sobre quais medicamentos podem ou não ser utilizados durante a doença. Uma das perguntas mais comuns é: “Posso tomar aspirina ou ácido acetilsalicílico (AAS) se estiver com dengue?” A resposta é clara: não! ❌ Por que não usar AAS na dengue? O ácido acetilsalicílico (AAS), presente em medicamentos como a aspirina, tem ação antiplaquetária – ou seja, ele diminui a capacidade das plaquetas de promover a coagulação sanguínea. Esse efeito pode ser benéfico em situações específicas, como prevenção de infartos ou AVC. Na dengue, no entanto, ele representa um risco grave . Isso porque uma das complicações possíveis da doença é a dengue hemorrágica , em que o paciente pode apresentar sangramentos internos e externos. O uso de AAS aumenta ainda mais a chance dessas hemorragias, podendo agravar o quadro clínico. E outros anti-inflamatórios? Não é apenas o AAS que deve ser evitado. Outros anti-inflamatórios, ...

Quando a sátira se torna desinformação: o caso dos bebês reborn e os limites da viralização

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  Nos últimos meses, a internet brasileira acompanhou uma explosão de conteúdos sobre os chamados bebês reborn — bonecas hiper-realistas que imitam recém-nascidos e são objetos de colecionismo há décadas. Tudo começou de forma aparentemente inocente: reportagens, vídeos de “unboxing”, curiosidades sobre o nicho. Até aí, tudo bem. Mas, como frequentemente acontece no ambiente digital, o que era conteúdo de entretenimento logo se transformou em combustível para a desinformação. Vídeos de humor foram recortados e compartilhados como se fossem reais. Postagens claramente satíricas — como protestos fictícios pelos “direitos” das bonecas — passaram a gerar indignação coletiva , mobilizações políticas e até propostas de projetos de lei . Sim, prefeitos precisaram esclarecer que mães de bebês reborn não têm direito a fila preferencial . Parlamentares se viram pressionados a legislar sobre situações que nunca aconteceram de fato . Tudo isso por conta de posts falsos que pareciam verdadeiro...

Influencers x Evidência Científica: quem está ganhando?

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  Influencers x Evidência Científica: quem está ganhando? Em um mundo onde vídeos de 15 segundos no TikTok viralizam mais rápido que uma diretriz médica, uma pergunta incomoda profissionais da saúde: quem está moldando a opinião das pessoas sobre saúde — a ciência ou os influencers? A batalha pelo tempo (e pela atenção) A ciência exige tempo, cautela, revisão por pares. Já os criadores de conteúdo — nem sempre especialistas — oferecem respostas rápidas, diretas e embaladas com carisma e emoção . O algoritmo favorece quem gera engajamento, não necessariamente quem entrega a verdade. Em 2022, um estudo publicado no British Medical Journal mostrou que 30% dos vídeos de saúde mais populares no TikTok divulgavam informações enganosas ou incorretas . No Brasil, uma pesquisa do Datafolha revelou que 45% das pessoas confiam mais em vídeos nas redes sociais do que em sites oficiais de saúde , especialmente entre os jovens de 18 a 29 anos. Ciência não é viral. Mas deveria ser. Enquanto inf...

Ciência comprova, aumento na venda de tênis reduz a diabetes: A epidemia das correlações absurdas, quando o dado engana mais que informa

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Em tempos de dados abundantes e manchetes sedutoras, uma correlação curiosa pode rapidamente se transformar em “prova científica” aos olhos do público leigo. A frase “aumento na venda de tênis reduz a diabetes” é fictícia — mas ilustra perfeitamente como a má interpretação de dados pode alimentar desinformação em saúde. 📊 Correlation is not causation Só porque dois fenômenos acontecem simultaneamente não significa que um causa o outro. Essa é a base do que chamamos de correlação espúria — uma associação estatística que parece significativa, mas não tem relação causal real. Exemplo clássico: entre 1999 e 2009, dados mostraram que o consumo de queijo nos EUA estava correlacionado com o número de pessoas que morreram enroscadas em lençóis. A correlação era alta, mas evidentemente absurda.

Quando o WhatsApp vira médico: os perigos da desinformação

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Imagine um cenário onde a conduta clínica de um paciente é pautada por um print compartilhado em um grupo de família. Parece absurdo? Pois esse cenário é mais  comum do que gostaríamos de admitir. O fenômeno da desinformação em saúde, amplificado pelas redes sociais e mensageiros como o WhatsApp, não apenas compromete a confiança na medicina baseada em evidência — ele impacta diretamente a adesão terapêutica , taxas vacinais , uso racional de medicamentos e até mesmo a autoridade profissional do médico diante de seus pacientes. A desinformação não é inocente: ela adoece Segundo a Organização Mundial da Saúde , vivemos uma "infodemia" — um excesso de informações, muitas vezes imprecisas ou enganosas, que dificulta o acesso a fontes confiáveis e prejudica a resposta de saúde pública. Em 2023, uma pesquisa da Fiocruz com mais de 9 mil brasileiros revelou que: 67% já receberam fake news sobre vacinas nos últimos 12 meses. 31% alteraram condutas clínicas pessoais com ...

Como a desinformação sobre vacinas afeta a prática clínica

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  Pacientes que recusam vacinas por medo de “alteração genética”. Vídeos virais que afirmam que a vacina da dengue “causa câncer”. Médicos e enfermeiros perdendo tempo precioso explicando por que vacinas não foram criadas “para controlar a população”. A desinformação em saúde, especialmente sobre vacinas, deixou de ser um ruído periférico e passou a ser uma das maiores ameaças à saúde coletiva. Hoje, ela impacta diretamente o tempo, a escuta, a confiança e a efetividade da prática clínica . E isso é mais sério do que parece. 1. O impacto no vínculo clínico: da confiança ao desgaste O profissional de saúde se vê obrigado a refazer o caminho da confiança — explicando, acalmando, negociando. Tudo isso em uma consulta de 15 minutos. 2. O impacto na saúde pública e nos indicadores clínicos Casos de sarampo, varicela, coqueluche e agora a dengue, com sorotipo 3 em expansão, ressurgem em regiões com baixa adesão vacinal. O profissional de saúde, na prática, se torna linha de frente con...

O retorno do sorotipo 3: um cenário conhecido, mas mais perigoso

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  O retorno do sorotipo 3: um cenário conhecido, mas mais perigoso O Brasil vive, em 2025, uma das maiores ameaças recentes no campo das arboviroses. O aumento expressivo no número de casos de dengue em diversos estados do país está diretamente ligado à reintrodução do sorotipo 3 (DENV-3) — um subtipo do vírus que não circulava amplamente desde 2007 e que agora encontra uma população amplamente suscetível . Segundo o Ministério da Saúde , só nas primeiras semanas do ano foram notificados mais de 90 mil casos prováveis da doença, com mais de 100 mortes sob investigação relacionadas à dengue grave. O estado de São Paulo lidera os registros, com 117.396 casos confirmados entre as semanas epidemiológicas 1 a 7, segundo boletim oficial do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP) 【¹】. Esse novo ciclo de epidemia, impulsionado pela baixa imunidade cruzada contra o DENV-3 , impõe desafios ao sistema de saúde, especialmente em regiões com histórico prévio de circulação dos soro...